A Curva Palavra de Sempre

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Coisas que só o Rio de Janeiro pode estragar em você

Dois beijos pra dizer oi, empadinhas, botecos e banheiros públicos.  Não tem quem resista.

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Corte

Corte de papel é feito traição, dói como traição e bem pode ser retaliação do meio pela mensagem.

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Papéis espalhados

“Mesmo quando se escreve para crianças não se deve escrever para crianças.”

Fernando Pessoa apud Odilon Moraes

“Livros têm remetentes, não destinatários. O bonito é que o livro que te toca foi sempre para você.”

“A literatura infantil raptou a imagem para ela.”

“Vejo um quadro de Iberê Camargo e me vêm imagens literárias de Beckett. É uma espécie de confusão na maneira de ver o mundo. A condição de ilustrador é uma grande confusão.”

Odilon Moraes, escritor e ilustrador.

Anotações da palestra mais bonita da minha vida.

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A dor e a delícia

Toda uma cidade pra me fazer esquecer que sangro, museus, livros, carros, máquinas de lavar. Toda uma civilização pra me fazer esquecer que sangro, que morro, que choro. Toda uma sociedade pra me fazer esquecer que sangro, que lobo, que mordo. Esqueço-as uma vez por mês: menstruação.

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Estou rindo mais fácil

copoPassei uma tarde toda olhando a sombra da árvore que entra pela janela. Fico feliz de verdade por causa do passarinho de casaca e camisa amarela. Estou apaixonada sem doença ou vício por uma de cores cartela. Cantar alto é precisamente o que nunca mais fiz depois dela. A letra se expande, cresce e toma a página toda. A vida é uma só viagem, é colorida e bela. Como é belo o reflexo da piscina na parede, como é bela a minha árvore. Santa Bárbara deve florir logo e as amoras ficam doces. Todo um jogo simbólico que me esqueço apenas para voltar a lembrar. Gaivotas, conchinhas, flores brancas e roxas e rosas, manacás floridos, flamboyant, abacateiro e flor de laranjeira. Espinhos coloridos de rosa, os jardins intocáveis das minhas bruxas. O gosto de carambola no pé, a goiabeira que só amadurecia frutos bichados. Meus sonhos de princesa, minha Emília, minha maturidade infantil. Acentos, antônimos, o jogo de lembrar e deduzir. A ciência nascente, a descrença prometida. O gosto pela adivinhação. Como se esconde um elefante na plantação de moranguinhos? Esmalte vermelho. Quero sempre me esconder entre os moranguinhos e os elefantes. Quero ver e provar, entender não mata a magia, mas entender não é preciso. Preciso como em Pessoa, preciso com em precisão. Procissão de fé e carinho. Brota a primeira folha no pé de feijão, canta o perfume do manjericão e a pimenta ri muito dizendo que não. Queimem quem entende o doce picante, fogo é tão bonito. Saiba sorrir, volte a gargalhar. Dance. Quanto tempo fazia que eu não dançava? Tenho medo demais, morte demais, sede demais. Eu dancei de menos. Por medo de te esmagar os dedos, meu querido. Deveria seguir sozinha. Esse corpo sou eu, sempre fui.

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Sobre Paula e Sabina

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Paula tem os cabelos vermelhos e prefere que não confiem nela. Não dependam dela. Não a amem. Paula prefere o amigo com os poemas e a garrafa. Sabina não pára, Sabina não ama. Sabina pinta e foge. Sabina sabe. Paula é peso dos outros, Sabina é leve. Paula já avisa que não é adorável, é uma jogadora e é predador. Sabina não se importa, ela goza.

Claudia e Tereza são lindas.

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Óbvia metáfora

I’m way too literal.

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Inventarei o Saturday Blues

Pra combinar com o vazio.

A máquina de lavar, as canções francesas, o frio, os pés gelados, o céu cinza.

Os sábados são sempre chuvosos e a roupa nunca seca. A chuva me abraça desde a saida do metrô, quase quente, quase você.

Combina bastante bem com o vazio.

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Lacônica, prolixa e confusa

Eu: nada, absolutamente assim. Sempre.

Sabendo, substantivos são frases. Ignorante, profusão de verbos.

Etéreo é mensagem cifrada. Código, prazer, Laís.

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