Passei uma tarde toda olhando a sombra da árvore que entra pela janela. Fico feliz de verdade por causa do passarinho de casaca e camisa amarela. Estou apaixonada sem doença ou vício por uma de cores cartela. Cantar alto é precisamente o que nunca mais fiz depois dela. A letra se expande, cresce e toma a página toda. A vida é uma só viagem, é colorida e bela. Como é belo o reflexo da piscina na parede, como é bela a minha árvore. Santa Bárbara deve florir logo e as amoras ficam doces. Todo um jogo simbólico que me esqueço apenas para voltar a lembrar. Gaivotas, conchinhas, flores brancas e roxas e rosas, manacás floridos, flamboyant, abacateiro e flor de laranjeira. Espinhos coloridos de rosa, os jardins intocáveis das minhas bruxas. O gosto de carambola no pé, a goiabeira que só amadurecia frutos bichados. Meus sonhos de princesa, minha Emília, minha maturidade infantil. Acentos, antônimos, o jogo de lembrar e deduzir. A ciência nascente, a descrença prometida. O gosto pela adivinhação. Como se esconde um elefante na plantação de moranguinhos? Esmalte vermelho. Quero sempre me esconder entre os moranguinhos e os elefantes. Quero ver e provar, entender não mata a magia, mas entender não é preciso. Preciso como em Pessoa, preciso com em precisão. Procissão de fé e carinho. Brota a primeira folha no pé de feijão, canta o perfume do manjericão e a pimenta ri muito dizendo que não. Queimem quem entende o doce picante, fogo é tão bonito. Saiba sorrir, volte a gargalhar. Dance. Quanto tempo fazia que eu não dançava? Tenho medo demais, morte demais, sede demais. Eu dancei de menos. Por medo de te esmagar os dedos, meu querido. Deveria seguir sozinha. Esse corpo sou eu, sempre fui.
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