Você é meu abraço mais antigo e mais apertado.
Alguns dias ao invés de abraçar o corpo, abraça a garganta.
Vira nó e são saudades.
Arquivado como:Hoje , amizade, Íris, desde 1992, Londrina
Julho 11, 2009 • 6:11 pm 0
Você é meu abraço mais antigo e mais apertado.
Alguns dias ao invés de abraçar o corpo, abraça a garganta.
Vira nó e são saudades.
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• 12:38 am 0
Toda uma cidade pra me fazer esquecer que sangro, museus, livros, carros, máquinas de lavar. Toda uma civilização pra me fazer esquecer que sangro, que morro, que choro. Toda uma sociedade pra me fazer esquecer que sangro, que lobo, que mordo. Esqueço-as uma vez por mês: menstruação.
Arquivado como:Hoje, Sempre , cidade, cifra, instinto, sangue, vida
Julho 7, 2009 • 4:33 pm 0
Lá vai a torre, agora eu perdi o jogo. Ele vai atacar meu bispo e se eu for querer me vingar com a rainha abro caminho pro xeque com o cavalo. Sem eu ver. Daqui a pouco ele avança pela diagonal, come meu rei, meu copo de água, meu braço, minha roupa toda. Mate.
Arquivado como:Hoje , jogada de mestre, xadrez, xeque, xeque mate
Julho 5, 2009 • 9:13 pm 0
Passei uma tarde toda olhando a sombra da árvore que entra pela janela. Fico feliz de verdade por causa do passarinho de casaca e camisa amarela. Estou apaixonada sem doença ou vício por uma de cores cartela. Cantar alto é precisamente o que nunca mais fiz depois dela. A letra se expande, cresce e toma a página toda. A vida é uma só viagem, é colorida e bela. Como é belo o reflexo da piscina na parede, como é bela a minha árvore. Santa Bárbara deve florir logo e as amoras ficam doces. Todo um jogo simbólico que me esqueço apenas para voltar a lembrar. Gaivotas, conchinhas, flores brancas e roxas e rosas, manacás floridos, flamboyant, abacateiro e flor de laranjeira. Espinhos coloridos de rosa, os jardins intocáveis das minhas bruxas. O gosto de carambola no pé, a goiabeira que só amadurecia frutos bichados. Meus sonhos de princesa, minha Emília, minha maturidade infantil. Acentos, antônimos, o jogo de lembrar e deduzir. A ciência nascente, a descrença prometida. O gosto pela adivinhação. Como se esconde um elefante na plantação de moranguinhos? Esmalte vermelho. Quero sempre me esconder entre os moranguinhos e os elefantes. Quero ver e provar, entender não mata a magia, mas entender não é preciso. Preciso como em Pessoa, preciso com em precisão. Procissão de fé e carinho. Brota a primeira folha no pé de feijão, canta o perfume do manjericão e a pimenta ri muito dizendo que não. Queimem quem entende o doce picante, fogo é tão bonito. Saiba sorrir, volte a gargalhar. Dance. Quanto tempo fazia que eu não dançava? Tenho medo demais, morte demais, sede demais. Eu dancei de menos. Por medo de te esmagar os dedos, meu querido. Deveria seguir sozinha. Esse corpo sou eu, sempre fui.
Arquivado como:Amanhã, Hoje, Ontem, Sempre , amiga do rei, bela, beleza, carambola, cores, dança, Drummond, escapismo, felicidade, infância, jogo, Londrina, música, palavras, Parságada, simbólico, sombra, vida
Julho 3, 2009 • 8:11 pm 0

Paula tem os cabelos vermelhos e prefere que não confiem nela. Não dependam dela. Não a amem. Paula prefere o amigo com os poemas e a garrafa. Sabina não pára, Sabina não ama. Sabina pinta e foge. Sabina sabe. Paula é peso dos outros, Sabina é leve. Paula já avisa que não é adorável, é uma jogadora e é predador. Sabina não se importa, ela goza.
Claudia e Tereza são lindas.
Arquivado como:Sempre , Cortázar, ironia, kundera, minhas mulheres
• 7:57 pm 0
Desisti de deixar que me celebrem o aniversário, escondi a data e é isso. Eu acho que eu só desisti de aniversários. Na minha infâncias as festas ficavam vazias, todo mundo preferia vacas e bois. Hoje em dia eu nunca estou com meus corações. A cada ano que passa, eu só fico mais certa de quem eu sou, mas com mais medo de não ser. É irremediável, preciso fazer e fazer, pensar que é coisa para os fracos.
Arquivado como:Ontem , acontecer, aniversário, ano novo, coração, fazer, futuro
• 7:50 pm 0
Meus medos inex(s?)plicáveis são como ess(t?)as minhas dúvidas de ortografia, simplemente existem, desde sempre, desde antes de haver eu. São Paulo tem uma coisa que eu jurava que era carioca, mas que não é, essa capacidade de me deixar inerte, morrendo de medo, enrolada em posição fetal na frente da tela do computador, da prancheta, do papel. São Paulo não tem os dentes cariados e decadentes do centro da ex-capital, São Paulo é toda dinâmica, toda estilo, toda corporativa. E eu? Eu morro de medo.
Arquivado como:Hoje, Ontem , bicho papão, medo, rascunho, Rio, rio de janeiro, são paulo
• 7:46 pm 0
Pra combinar com o vazio.
A máquina de lavar, as canções francesas, o frio, os pés gelados, o céu cinza.
Os sábados são sempre chuvosos e a roupa nunca seca. A chuva me abraça desde a saida do metrô, quase quente, quase você.
Combina bastante bem com o vazio.
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Maio 24, 2009 • 6:47 pm 0
No bairro de São Caetano, cidade de São Salvador, em território baiano nasceu Severino Nonô. Nascido de nove meses, filho de homem e mulher, isso ainda acontece às vezes. Ou não é?
A cigana que leu seu futuro, só lhe disse coisas de agradar. Vai ser boa vida no duro, vai ser rico sem trabalhar. Será senador, deputado ou explorador de mulher. Isso é que é ter sorte o danado. Ou não é? (O destino e desatino de Severino Nonô na cidade do Rio de Janeiro, vai dizer que existe nome melhor que esse pra uma música.)
Eu ouço música como quem lê, ironia sempre me ganha e regência errada que transforma frases simples em pornográficas é absolutamente tudo que alguém precisa no mundo pra me conquistar. Se fazer amor me enoja, te gostar é tão o oposto disso. Por isso, Simonal.
Estou com um gosto amargo de que vão me roubar o cara depois do documentário. E eu sou tão ciumenta.
Arquivado como:Hoje , documentário, palavras, Severino Nonô, Simonal, Wilson Simonal